Organizações pedem a Justiça Eleitoral que volte a divulgar o CPF de candidatos às eleições de 2026

Tribunal Superior Eleitoral oculta os dados na plataforma DivulgaCandContas desde 2024, limitando a transparência eleitoral e o controle social sobre as candidaturas
08/01/2026
Nathália Mendes
Eleições e partidos políticos Transparência

A Transparência Brasil e outras oito entidades enviaram um ofício  hoje, 8.jan, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a retomada da publicização do número do CPF de candidatos nas eleições de 2026. As organizações pedem a revisão e alteração de um dispositivo incluído em 2024 na Resolução nº 23.609/2019 da Corte, que estabeleceu o CPF como “documento sigiloso” e suprimiu sua divulgação. 

Segundo as organizações, a publicização do CPF de candidatos é essencial para diferenciar  homônimos e cruzar informações das candidaturas com outras bases de dados. Ocultar esse dado dificulta significativamente o trabalho da sociedade civil e da imprensa na identificação de distorções em patrimônios, de candidaturas “laranja”, de pessoas condenadas pela Justiça e de doações eleitorais entre candidatos.

As entidades defendem que o CPF é um dado cadastral passível de divulgação, conforme entendimento da Receita Federal, do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União, entre outros. No âmbito do Executivo federal, ele é divulgado de forma parcial.

O TSE passou a ocultar os CPFs na plataforma DivulgaCandContas nas eleições de 2024. Em ago.2024, a TB e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), representando o Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, defenderam a publicização dos dados em audiência com a ministra Cármen Lúcia, que preside o tribunal. A ministra se comprometeu a buscar internamente soluções para garantir a divulgação ao menos parcial dos dados, mas eles foram ocultados durante o pleito.

As organizações signatárias da carta pedem a retomada da publicização do CPF para o pleito eleitoral de 2026, preferencialmente já nas minutas do TSE que serão submetidas à consulta pública em 17.jan.2026. 

Além da TB, assinam o Grupo de Pesquisa e Intervenção em Direitos Humanos Mapinguari – Universidade Federal de Rondônia, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Open Knowledge Brasil, Associação Fiquem Sabendo, Amazônia Real, Base dos Dados, Artigo 19 e Transparência Internacional – Brasil.

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