Flávio Dino cobra explicações do governo federal e Congresso sobre sigilos em resposta à ação que tem estudo da Transparência Brasil como base

Levantamento aponta falhas no controle de informações classificadas como sigilosas no governo federal pela Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI)
Data de publicação
04/03/2026
Carolina Mazzi
Transparência

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, no dia 27.fev.2026, que o governo federal e o Congresso Nacional expliquem, em até dez dias, a imposição de sigilos em documentos e informações públicas. 

A medida foi tomada no âmbito de uma ação que questiona a aplicação reiterada de sigilos a informações de interesse público, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 1.308 requerida pelo partido Novo. A ação utiliza como base o levantamento da Transparência Brasil que aponta inconsistências no controle de informações classificadas como sigilosas no governo federal pela Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI). 

O estudo identificou que a base de dados da CMRI, órgão responsável por supervisionar a aplicação da Lei de Acesso a Informação (LAI) no Executivo federal, registra 1.971 sigilos a menos do que o total contabilizado nas listas divulgadas por ministérios e outros órgãos federais. O cruzamento das bases também apontou divergências entre registros oficiais, incluindo informações classificadas que aparecem apenas em um dos sistemas analisados.

Segundo o estudo da Transparência Brasil, essas inconsistências indicam falhas estruturais no monitoramento do uso do sigilo. Entre os problemas identificados estão as limitações e a defasagem tecnológica do sistema utilizado para registrar as classificações e a ausência de mecanismos que garantam que todos os órgãos federais informem corretamente as decisões do porquê de restringir o acesso a documentos públicos.

Os dados reunidos no estudo reforçam a necessidade de aprimorar os mecanismos de controle e transparência sobre a classificação de informações no setor público. A ausência de monitoramento sistemático dificulta avaliar a dimensão do uso do sigilo no país e verificar se as restrições seguem os critérios estabelecidos pela Lei de Acesso a Informação.

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