Homens não brancos têm maior proporção de candidaturas sem recursos na corrida eleitoral de 2026, aponta estudo da Transparência Brasil

Um em cada quatro candidatos não brancos a deputado estadual ou distrital não declarou nenhuma receita financeira de campanha até 30 de setembro
Data de publicação
02/10/2026

Homens não brancos são o grupo com a maior proporção de candidaturas sem recursos financeiros na disputa pelas vagas de deputado federal, estadual e distrital em 2026. A análise da Transparência Brasil, presente na terceira edição do boletim “Caixa de Campanha”, foi realizada a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral atualizados até 30.set.2026. Foram considerados apenas os candidatos com registro de candidatura deferido.

Na disputa para deputado federal, 15,3% dos homens não brancos não receberam recursos financeiros, proporção que chega a 25,6% na corrida para vagas a deputado estadual ou distrital. Entre os homens brancos, os percentuais são significativamente menores: 10,7% e 14,6%, respectivamente.

As mulheres não brancas são o segundo grupo com maior proporção de candidaturas sem financiamento algum, e apresentam o menor acesso a recursos privados: três em cada quatro candidaturas (76,6%) não receberam recursos dessa natureza. Isso significa que não receberam doações de terceiros e, tampouco, autofinanciamento. No conjunto das candidatas a deputada federal, estadual e distrital, 61,9% receberam exclusivamente recursos públicos e 14,8% não registraram nenhuma receita. 

Entre as mulheres brancas, o financiamento público também responde pela principal fonte de recursos de campanha. “A alocação adequada dos recursos de fundos públicos é fundamental para que candidaturas de mulheres se tornem viáveis. As normas que garantem o mínimo legal para essa distribuição têm contribuído para diminuir a quantidade de candidatas sem recursos financeiros, como ocorria de forma sistemática nos pleitos em que essa regra ainda não existia ou era muito menos respeitada”, afirma Bianca Berti, coordenadora de projetos da Transparência Brasil. “Porém, chama a atenção a quantidade de mulheres não brancas sem recursos de doações privadas, o que pode indicar um menor engajamento de suas campanhas junto ao eleitorado”.

Comparando essa situação com a dos candidatos não brancos, Berti afirma que “os dados revelam que candidaturas de homens não brancos estão sendo despriorizadas. Isso contrasta, em todos os cenários, com os homens brancos, que em comparação seguem mais favorecidos no financiamento de campanha, tanto em relação aos montantes destinados a suas candidaturas quanto à capacidade de diversificação de fontes de financiamento”.

Candidaturas sem recursos

Na reta final de campanha, dos 17.910 candidatos com candidaturas deferidas para cargos proporcionais analisados, 2.781 (15,5%) não registraram nenhum recurso financeiro.

A ausência de recursos privados é ainda mais disseminada: 10.617 candidaturas, equivalentes a 59,3% do total, não receberam receitas dessa natureza.

Dos R$ 4,7 bilhões em recursos financeiros registrados para os grupos analisados, R$ 4,2 bilhões (89%) são públicos, compreendendo o Fundo Partidário e o Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC).

Caixa de Campanha

O “Caixa de Campanha” acompanha a desigualdade no financiamento de candidaturas proporcionais nas eleições gerais de 2026. Ele é um produto do programa Transparência Partidária, da Transparência Brasil, apoiado pelo Instituto Galo da Manhã.

O primeiro boletim foi lançado em 22.set e comparou o percentual de recursos recebidos por cada grupo com a sua participação no total de candidaturas. As candidaturas não brancas (negros, indígenas e amarelos) a deputado federal, estadual e distrital representam 49,8% dos candidatos, mas receberam 39,6% dos recursos públicos repassados pelos partidos até 15.set. Proporcionalmente, deixaram de receber R$ 394 milhões até aquela data. 

O segundo boletim, publicado em 26.set, detalhou o financiamento de cada grupo, ressaltando que mulheres pardas estão duplamente desfavorecidas. Elas têm menos espaço entre as candidaturas a deputado (federal, estadual e distrital) do que sua proporção na população adulta e recebem uma fatia dos recursos públicos de campanha menor do que a sua participação nas candidaturas.

A íntegra do boletim está disponível neste link.

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