24/08/2023
Esta análise evidencia que o governo de Jair Bolsonaro foi o que menos aplicou recursos no Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Y). No primeiro ano do período, apenas 79% dos recursos reservados para o órgão se converteram de fato em bens e serviços. Foi a menor taxa de empenhos liquidados e o menor montante de liquidações, em valores absolutos, desde 2013.
Os recursos para investimentos, como infraestrutura e equipamentos, praticamente desapareceram: de R$ 7,1 milhões em 2018 para apenas R$ 96 mil em 2019, chegando a zero em 2020. Ao longo de todo o governo Bolsonaro, apenas R$ 1,3 milhão foi destinado a investimentos, incluindo a compra de 30 botes de alumínio pintados com padrão do Exército. Enquanto isso, contratos de transporte aéreo somaram R$ 118,4 milhões, com denúncias de superfaturamento, má execução e ligações com o garimpo ilegal.
- O governo federal firmou convênio com a ONG Missão Evangélica para atendimento no DSEI-Y de 2019 a 2023, mesmo após auditoria do Ministério da Saúde apontar falta de capacidade técnica;
- Apesar dos recursos em transporte, a Casa de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) de Boa Vista (RR) abrigava, no início de 2023, mais de 500 pessoas acima de sua capacidade, que permaneciam aguardando no local durante meses por locomoção de volta aos locais de origem;
- Mesmo após pressão social e do Ministério Público Federal em meio à pior crise sanitária da população Yanomami, os recursos continuaram abaixo dos níveis anteriores a 2018.




